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“Ira divina” no Haiti?

18/01/2010

É preocupante a freqüência com que o termo “Deus” é comentado em catástrofes. O ser humano vai lá, constrói uma casa em área de deslizamento, de instabilidade, faz casa de madeira, mora do lado de vulcão, e depois procura um culpado porque a casa cai, o incêndio destrói tudo, as cinzas soterram… Como se a Terra fosse um produto de má qualidade, sem garantia.

Parte desse sentimento deve vir da impotência diante das forças da natureza. Podemos ter as mais avançadas tecnologias, ir à lua, manipular os genes, mas basta a temperatura da terra aquecer alguns graus e pronto! Armagedon! Talvez esse mistério seja causado por essa vontade de dominar os eventos, de conseguir prever o futuro. Surgem então os “pastores”, cônsul e até mesmo jornalistas a falar sobre a “ira divina”.

Afirmar que compreende e prevê as atitudes de Deus é incompatível coma  situação de crente, é afirmar que o infinto cabe nas nossas consciências limitadas, como diria um apóstolo é “tentar fazer o mar caber num balde” . O termo “vontade de Deus”  tem sido utilizado para justificar uma série de  calamidades, sacrifícios e ordens de superiores fanáticos de religiões. São lamentáveis as declarações do Cônsul do Haiti no Brasil (http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u679672.shtml), do Pastor dos EUA (http://terratv.terra.com.br/Noticias/Especiais/Terremoto-no-Haiti/4717-266628/Pastor-diz-que-pacto-com-Diabo-causou-terremoto.htm), e de um jornalista supostamente humanitário aqui (http://haiti.org.br/2010/01/haiti-a-miseria-de-deus-por-afonso-teixeira/) de que o terremoto com nível 7 na escala Richter estivesse relacionado à prática da Macumba ou a um possível acordo de venda de alma com o diabo, justificando um abandono da parte de Deus.

Parte dessa confusão vem da leitura parcial da Bíblia. O termo “ira ou justiça Divina” é facilmente encontrado no velho testamento. O que poucos comentam é que no próprio velho testamento há o livro de Jó que expõe essa contradição: nessa história fictícia, Deus é desafiado pelo Diabo de que seu filho Jó é fiel apenas porque tem conforto material. Então Deus vai tirando tudo dele para prová-lo, e, numa cena que é interessante retomar, entra na Sinagoga e protesta diante da perda de sua família e propriedades aos anciãos mostrando que ele não era merecedor das desgraças que lhe haviam acontecido. O próprio Jesus fala “Pai, por que me abandonaste”.

O que devíamos fazer, ao invés de achar o culpado de um terremoto (além de ajudar as vítimas, obviamente) é ter esperança! Esperança de que essas pessoas falecidas estejam num lugar melhor e que o Haiti, como em outras ocasiões em que tragédias, a história nos mostre no futuro saldos positivos. Explico:

  • Tsunami de 2004: Ocorreu logo no meio da “Guerra contra o Terror”. O mundo inteiro se uniu em prol das vítimas, por um bom tempo ninguém ouviu falar de guerra ou atentado terrorista. Infelizmente as pessoas foram esquecendo e voltaram a brigar.
  • Enchente em Boston: Ocorrida em 2005, mostrou a fragilidade do Governo Bush, que agiu pouquíssimo em assistência às vítimas, que passaram dias horríveis de desordem. Não fosse essa catástrofe, muito provavelmente teríamos um terceiro mandato deste;
  • Segunda Guerra Mundial: Esta foi causada pelos homens, mas veja a Alemanha. Reergueu-se e hoje assume um papel de liderança mundial incrível. Boa parte dos direitos civis das mulheres surgiu devido à participação delas nessa época.
  • Israel: O próprio povo judeu é o que mais sofreu invasão, escravidão e perseguição ao longo de toda a história. Alguém conhece algum judeu necessitado?

O que esperar do Haiti?

Podemos esperar que os haitianos ao reconstruir o país ganhem mais consciência dos seus direitos civis e não permita que regimes anti-democráticos e ditaduras tomem o poder. Com certeza o povo haitiano vai sair mais forte e unido desta catástrofe. O tempo é de esperança e de solidariedade!

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One comment

  1. Ira divina é uma boa mesmo!

    Como se esse tivesse sido o primeiro terremoto da História. Se não me engano o de Kobe no Japão no começo dos anos 90 superou os 8 graus da escala Richter, sendo portanto mais forte que esse do Haiti.

    E hoje eles têm por lá um sistema anti-terremotos nas construções que aparentemente é fantástico (não houve outro terremoto depois em Kobe pra confirmar).



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