Archive for the ‘Filmes’ Category

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Você largaria tudo por uma profissão?

28/01/2010

Nesta segunda-feira fui ao cinema e encontrei um filme que abordava três questões que me perturbam há algum tempo: Planos de vida, conflito GenYxBaby Boomer e Mudança em função de uma carreira.

“Amor sem escalas” (Up in the air ), de Jason Reitmann, diretor de “Juno” e “Obrigado por Fumar”, também ótimos, é um filme muito interessante para quem está numa situação de “recém formado”,  escolhendo a carreira, prestes a decidir se muda para uma outra cidade em busca de uma oportunidade profissional ou em função de um relacionamento. Neste filme, George Clooney interpreta com maestria Ryan, um profissional incomum, especializado em demitir pessoas. Como ele viaja constantemente, ele praticamente não tem casa, não é apegado a nada, e ainda dá palestras sobre isso! De maneira sutil, divertida e criativa, Reitmann acaba por abordar coisas como sentido da vida, relações pessoais e como fazemos planos.

Conheço duas pessoas que levam uma vida próxima a de Ryan, e posso dizer que a questão dos relacionamentos é realmente delicada para eles, e também para mim, que passei por três mudanças de cidade em função da tão sonhada carreira, que ainda está começando…

Há um conflito de geração GenY x Baby Boomer que ocorre quando a trainee da empresa, Natalie, resolve “revolucionar” a maneira de trabalho colocando todos os profissionais a demitir por videoconferência. Ryan, não querendo se adaptar, leva a jovem psicóloga a campo para conhecer o trabalho dele de verdade. Aí a história se desenvolve, com uma trilha sonora perfeita. Natalie é como nós: inovadores, criativos, exigentes, sempre conectados, com sede de fazer mais, mas com uma fragilidade enorme embaixo da superfície rígida de fortes profissionais pró-ativos e ambiciosos!

Há um diálogo que por si só vale o filme: Natalie, 21, e Vera com 40 contam seus planos e objetivos em termos de relacionamento, e nós percebemos como a vida é muito mais difícil de prever do que nós imaginamos quando saimos do ensino médio com 17 anos e fazemos nossos planos.

Em suma, vale muito a pena ver esse filme, nada previsível (mesmo com o que eu falei aqui) e marcante.

MENINOS, não se preocupem, não é muito romântico, podem levar suas namoradas, fingir que estão assistindo só para agradá-las  e ganhar pontinhos!

ATUALIZAÇÕES:

Saíram algumas matérias interessantes sobre esse filme:

_HSM Management: Aqui o filme é comentado do ponto de vista de uma revista de negócios, focando na demissão;

_Zero Hora: Consultoras de Outplacement comentam o filme;

Para satisfazer a curiosidade do leitor: Sim, eu me mudaria de novo para trabalhar, e toparia uma vida de mudanças por um certo tempo, principalmente em início de carreira. Quanto às duas pessoas que eu conheço, elas conseguem namorar e até casar mesmo que tenham que ficar um certo tempo distante. Acho até que, em geral, algumas pessoas precisam de mais espaço nos relacionamentos.

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Se você gostou de “Avatar”, leia Orson Scott Card

24/12/2009

À primeira vista, o gênero “ficção científica” apresenta muito mais que armas a laser, naves espaciais e teletransporte. O que me atrai nesse gênero não são esses clichês, mas as várias discussões e observações que se pode fazer em histórias como essas.

Esses lugares comuns acabam fazendo o mesmo papel da “mágica” de Harry Potter ou da “fantasia” de um Senhor dos Anéis. Esses elementos atuam mais como um facilitador da história, para que o leitor não se surpreenda e diga “mas isso é impossível”, e feche o livro.  Inclusive, dizem que ambas as sagas foram inspiradas em um fato muito real: a ascensão do nazismo e a segunda guerra mundial. Lord Voldemort e o Próprio Senhor dos Anéis (Sauron) seria o Hitler: personagens com ambição de dominar o mundo sem escrúpulos, reinando pelo medo e escravizando.

Uma história interessante é a de Stargate. Na série há portais interplanetários espalhados pelo universo, e diversos seres humanos foram tirados do Egito e de diversas civilizações do mundo antigo e mandados para colonizar diversos planetas. Eles seriam hospedeiros de uma raça alienígena Goul’d. Ao longo dos episódios, várias civilizações visitadas têm alguma característica que não vemos mais, por exemplo: o código de Hamurabi, o isolamento de leprosos, e a emancipação feminina por exemplo. Assim, com um simples recurso “científico”, o buraco de minhoca, eles conseguem trazer assuntos mais interessantes que em um documentário.

O filme Avatar trouxe à tona um outro tema historico: a colonização. O tema “ver a natureza como mãe” (e não como simples recurso) já era comentado na época da expansão marítima pelo ideal do “bom selvagem”. A diferença reside em ser em um outro planeta. Na verdade, esse tema não é novo em ficção científica. Se o leitor quiser ler mais sobre o assunto, recomendo os livros de Orson Scot Card. O próprio James Cameron já fez um filme de um livro dele “O segredo do Abismo”, lembram?

O que torna os livros de Orson Scot Card mais interessantes, é o fato de ele ter vivido no Brasil por um tempo, como missionário Mormon. Algo de “brasileiro” pode ser encontrado em seus livros.

O livro “Um planeta chamado traição” mostra um planeta “Traição”, para onde clãs rebeldes que tentaram tomar o poder de uma “ONU” do futuro foram  mandados. Para voltar para a Terra, eles precisam fazer escambo para conseguir ferro e fazer uma nave: o planeta não tem minério de ferro. Cada clã forma um país, especializado em diferentes coisas. Há o país da floresta tropical, em que seus moradores são especialista em sensualidade, disfarces,  ilusões e trapaças.

Já os livros “O jogo do Exterminador” e a saga “Orador dos Mortos” trazem um futuro em que a Terra já possui 100 colônias. A colônia para onde o herói “Exterminador” ou “Andrew” viaja chama-se “Lusitânia”. Andrew é uma espécie de Profeta, que consegue ouvir e falar por mortos. Nessa colônia, com forte influência da Igreja ( inclusive o autor lança um novo tipo de ordem: a dos monges casados com monjas que vivem como irmãos), as famílias são numerosas e os nativos tem uma fase da vida na forma de árvore. Os ossos são como semente. Temas “humanos” tão diferentes só poderiam ser trazidos por ficção científica.