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Post num novo espaço

15/01/2010

Rendi-me aos encantos de um site de divulgação de “talentos” (entre aspas porque há controvérsias…. brincadeirinha) do Grupo Foco: o top talent. É um blog sobre vários temas: educação, carreira, geração, qualidade de vida, saúde e até história. Como eles têm um blog sobre conflito de gerações que eu acompanho (www.focoemgeracoes.com.br), comecei postando sobre esse tema.

Acabei de publicar lá o post “Como nossos pais?”: http://www.toptalent.com.br/index.php/2010/01/15/como-nossos-pais/

Pretendo ir publicando aos poucos algumas observações que fui fazendo sobre recrutamento, mercado de trabalho e liderança ao longo desses anos.

Boa leitura!

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PSC2100: Introdução à Psicologia para Engenharia

29/12/2009

Sou a favor do ensino de humanas nas faculdades de engenharia e exatas. Primeiramente pelo português, que ano após ano vai deteriorando até a situação em que o cidadão coloca vírgula entre sujeito e predicado.

Em segundo lugar, pela freqüência de casos de depressão que testemunhei enquanto representante discente. Isso deve ser comum em qualquer curso de graduação integral e deve ser provocada pelo excesso de horas dedicadas ao estudo. Se as aulas duram o dia inteiro e à noite a pessoa apenas estuda, janta e dorme, é natural que ela mal encontre tempo para conversar e cultivar amizades. A inserção de matérias de humanas poderia provocar a reflexão e a auto-análise. Fiquei admirada de ver como aumentava o número de conhecidos que faziam terapia à medida que os anos passavam. Outros colegas procuravam matérias na psicologia e na filosofia,  chegando a fazer uma segunda graduação. Existe um provérbio que diz que a falta de reflexão leva ao desespero (não me lembro agora o autor, mas creio que ele quis dizer reflexão sobre a vida, não sobre Algebra Linear, obviamente).

Terceiro, porque as aulas que mais me marcaram são aquelas em que o professor comentou uma ou outra coisa sobre uma experiência de vida dele,  ou seja, aquela em que ele trouxe “algo de humano”. Uma vez tive uma aula sobre motivação em administração que me marcou. Desde então assim que entro de férias, procuro livros de psicologia para ler.

Em quarto lugar, porque auto-conhecimento é tido como fator chave de sucesso profissional, uma daquelas características que entra ano sai ano aparecem em publicações de administração. Eu acrescentaria que procurar se conhecer, encontrar as suas respostas e resolver seus conflitos internos é a melhor maneira de prevenir um surto por estresse ou desilusão no futuro, no estilo ao som da música do Raul Seixas “Ouro de Tolo”.  Esses dias eu lí uma entrevista de um desses papas de administração (assim que voltar de férias procuro em casa o nome do cidadão) dizer que é comum uma pessoa deixar de ser um bom profissional simplesmente porque o pai ou mãe faleceu, e ele estava despreparado para as questões que viriam em decorrência disso. Ou aquele executivo que começa a ficar rico e se mostra um verdadeiro “garotão”, e começa a se comportar como um jovem 20 anos mais novo.

Você também deve conhecer pessoas que sofreram muito por não entender o que realmente queriam e se forçar a seguir um modelo pré-determinado. Neste sentido, gostaria de indicar um livro que estou terminando de ler. É um livro para faculdade de psicologia, então ele tende a ser “imparcial” e “científico” (entre aspas porque uma parte da psicologia não é ciência e porque a imparcialidade é uma grande piada). Talvez por isso eu tenha achado o começo meio cansativo… Se você quiser pular os dois primeiros capítulos pode ser que se interesse pela leitura: “Teorias da Personalidade: Da teoria clássica à pesquisa moderna de Howard S. Friedman e Miriam W. Schustack”. Neste livro ele indica as oito diferentes abordagens da personalidade:

São elas:

  • A psicanálise de Freud: Desta você já deve ter ouvido falar, não é que Freud explica tudo, ou que tudo é sexo. Mas ele foi o primeiro a mostrar que se não resolvermos nossos complexos, boa parte dos nossos impulsos podem explodir um dia numa neurose;
  • A neopsicanálise: Auto-explicativo: Jung, e outros seguidores de Freud, dissidentes ou nãoqawa;
  • A abordagem biológica da personalidade: Sabe aquelas pesquisas que volta e meia aparecem nos sites de notícia dizendo “estudo evolutivo mostra que mulheres têm maior tendência a consumir que homens (…) isso advém da separação de trabalho nas sociedades primitivas, em que a mulher era responsável pela coleta”, então… é nesta linha;
  • Abordagem behaviorista: é uma abordagem que merece um post à parte. Basicamente é a psicologia que estuda apenas o comportamento (e como manipu… digo, treiná-lo), ignorando traumas, conflitos internos, e tudo que não possa ser concretamente observável em laboratório com ratos;
  • Abordagem humanista e existencial: simplificadamente, tenta explicar a motivação e a auto-realização das pessoas.
  • Abordagem cognitiva: Já ouviu falar de Gestalt? Esse conceito ainda não se concretizou em minha mente, mas acho que é mais ou menos isso: como a maneira como as pessoas vêem o mundo influencia na personalidade;
  • Perspectiva do traço da personalidade: Parte de um ponto de vista quase histórico de classificar pessoas por estruturas neurais chamadas de traço. Existem várias classificações e boa parte deles têm bons resultados empíricos. Um deles é o Myers-Briggs: http://www.humanmetrics.com.
  • Abordagem interacionista: estuda como os comportamentos ou a personalidade poderiam ser afetados pelo ambiente ou por outras pessoas.

Ok, e por que escreví tudo isso? Porque fiz um acordo com a livraria e se você clicar aqui eu vou ganhar comissão?Não! Mas é porque ao longo do Blog eu vou usar esse livro como referência… e porque à partir daí você pode escolher a melhor linha em que procurar um terapeuta… ou seu próximo livro de psicologia.

OBS:  Este blog tenta seguir as regras atuais de ortografia, mas às vezes a força do hábito (treino, behaviorismo, veja acima) o impede.

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Se você gostou de “Avatar”, leia Orson Scott Card

24/12/2009

À primeira vista, o gênero “ficção científica” apresenta muito mais que armas a laser, naves espaciais e teletransporte. O que me atrai nesse gênero não são esses clichês, mas as várias discussões e observações que se pode fazer em histórias como essas.

Esses lugares comuns acabam fazendo o mesmo papel da “mágica” de Harry Potter ou da “fantasia” de um Senhor dos Anéis. Esses elementos atuam mais como um facilitador da história, para que o leitor não se surpreenda e diga “mas isso é impossível”, e feche o livro.  Inclusive, dizem que ambas as sagas foram inspiradas em um fato muito real: a ascensão do nazismo e a segunda guerra mundial. Lord Voldemort e o Próprio Senhor dos Anéis (Sauron) seria o Hitler: personagens com ambição de dominar o mundo sem escrúpulos, reinando pelo medo e escravizando.

Uma história interessante é a de Stargate. Na série há portais interplanetários espalhados pelo universo, e diversos seres humanos foram tirados do Egito e de diversas civilizações do mundo antigo e mandados para colonizar diversos planetas. Eles seriam hospedeiros de uma raça alienígena Goul’d. Ao longo dos episódios, várias civilizações visitadas têm alguma característica que não vemos mais, por exemplo: o código de Hamurabi, o isolamento de leprosos, e a emancipação feminina por exemplo. Assim, com um simples recurso “científico”, o buraco de minhoca, eles conseguem trazer assuntos mais interessantes que em um documentário.

O filme Avatar trouxe à tona um outro tema historico: a colonização. O tema “ver a natureza como mãe” (e não como simples recurso) já era comentado na época da expansão marítima pelo ideal do “bom selvagem”. A diferença reside em ser em um outro planeta. Na verdade, esse tema não é novo em ficção científica. Se o leitor quiser ler mais sobre o assunto, recomendo os livros de Orson Scot Card. O próprio James Cameron já fez um filme de um livro dele “O segredo do Abismo”, lembram?

O que torna os livros de Orson Scot Card mais interessantes, é o fato de ele ter vivido no Brasil por um tempo, como missionário Mormon. Algo de “brasileiro” pode ser encontrado em seus livros.

O livro “Um planeta chamado traição” mostra um planeta “Traição”, para onde clãs rebeldes que tentaram tomar o poder de uma “ONU” do futuro foram  mandados. Para voltar para a Terra, eles precisam fazer escambo para conseguir ferro e fazer uma nave: o planeta não tem minério de ferro. Cada clã forma um país, especializado em diferentes coisas. Há o país da floresta tropical, em que seus moradores são especialista em sensualidade, disfarces,  ilusões e trapaças.

Já os livros “O jogo do Exterminador” e a saga “Orador dos Mortos” trazem um futuro em que a Terra já possui 100 colônias. A colônia para onde o herói “Exterminador” ou “Andrew” viaja chama-se “Lusitânia”. Andrew é uma espécie de Profeta, que consegue ouvir e falar por mortos. Nessa colônia, com forte influência da Igreja ( inclusive o autor lança um novo tipo de ordem: a dos monges casados com monjas que vivem como irmãos), as famílias são numerosas e os nativos tem uma fase da vida na forma de árvore. Os ossos são como semente. Temas “humanos” tão diferentes só poderiam ser trazidos por ficção científica.

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Conversas de bar

22/12/2009

Sabe aquelas conversas descompromissadas que se tem numa reuniãozinha de amigos?
Entre, sente-se conosco e sinta-se à vontade

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Qual a diferença entre uma Igreja e uma Empresa

22/12/2009

Antes que o leitor se desestimule com assunto tão espinhoso, achando que se trata de mais um “ateu” atacando um alvo relativamente fácil, ou mais um religioso querendo converter Deus e o mundo, saiba que sou católica e meus amigos fizeram questão de me deixar treinada em discutir esse assunto.

Estive refletindo hoje sobre qual seria a semelhança entre Igreja e Empresa. A primeira surgiu antes do capitalismo. Antigamente, toda “empresa” no termo “empreender” era iniciativa do estado, de um reino, ou no máximo de um indivíduo (comerciante ou artezão), e não de um grupo de particulares, assim os reinos ou eram o puro socialismo de partido único (o do rei) ou uma empresa cujo único dono era o rei.

Pois bem, até onde eu sei, a Igreja Católica é a única instituição sobrevivente desde o império romano. Seria possível um paralelo?

_Lucro: Ok, a empresa lida com dinheiro e precisa de dinheiro para sustentar seus padres e religiosos, pagar contas de luz, água. Ela se divide entre matriz e filiais, com a primeira localizada na cidade do Vaticano. A Igreja Católica brasileira, a despeito do seu grande número de fiéis ainda depende da “matriz” européia.  Mas, dado que seu maior acionista está numa forma corpórea “superior”, e que seus religiosos não têm herdeiros, acumular riquezas em forma de dinheiro seria inútil.  Seria esta a razão da proibição do casamento dos padres?

_Clientes: Poderíamos dizer que os clientes são os “fiéis”, que são confortados com o serviço prestado por seus guias espirituais. Mas e aí, o cliente tem sempre razão? É… acho que esse paralelo não funciona muito bem…

_Gestão: O CEO é o próprio Papa, que se acredita “infalível”. A ele cabe inspirar os recursos humanos com encíclicas e doutrinas. O conselho diretor seria o “alto clero”, os supervisores os bispos, os colaboradores os religiosos. Apesar de seu comando estar limitado a algumas pessoas do alto clero,  nenhum religioso tem direito à propriedade privada além de coisas pessoais como roupas (teria o socialismo algo em comum com a Igreja?).  Os colaboradores são proibidos de ter sindicato, e devem seguir as regras 24h por dia.

_Definição no Código Civil:  Ao invés de limitada ou de capital aberto, o termo “Associação sem fins lucrativos” é o mais próximo. Segundo seus próprios textos ela ainda é “esposa de cristo”, “corpo místico de cristo”  ou ainda “templo do espírito santo”.

_Recursos Humanos: Em teoria, este seria o core business da Igreja católica, e toda religião que se preze: Desenvolver as pessoas que nela estão (clérigos ou leigos) deveria ser a principal “missão”. Ou seja, é uma das melhores políticas de RH possíveis. Seria a Igreja o melhor lugar para trabalhar?

_Ética: Assim como os militares, a Igreja possui seu próprio tribunal. A punição mais severa é a excomunhão, que seria o mesmo que dizer “você pode até freqüentar nossas asssembléias, mas não pode fazer parte de um corpo místico conosco”. Interessante diferentes tribunais existirem até hoje: é como se certas coisas só pudessem ser compreendidas pelo ponto de vista de quem está dentro. Não poderíamos criar o tribunal científico, pois somente quem faz ciência conhece os dramas envolvidos nessa atividade?

_Missão: Agora sim vamos falar de um termo que já existia antes do advento do capitalismo. A missão da Igreja é salvar a humanidade. Mas, se os acionistas são os maiores beneficiários, então… Deus ganha quanto mais gente entra na Igreja: é como se fosse uma empresa cuja missão é o crescimento, ponto.

_Acionistas: Em teoria, o próprio Deus, primeiramente porque seu “sócio fundador” se dizia “filho de Deus” e é tido como Deus também. O leitor, ou Nietzsche poderia dizer “Mas ele morreu, então não recolhe dividendos”, ao que eu responderia “há controvérsias, ele tem sido visto por muita gente há muito tempo, e há os que o digam que ele voltará, e mais, com um grande sinal no céu e em plena Glória”.

Assim, chegamos à conclusão de que a Igreja seria o melhor lugar para trabalhar por conta da sua gestão de RH, mas não o é pela baixa remuneração e altíssima carga de trabalho: existe para dar lucro a uma pessoa (ou Deus) que supõe-se morta e que há de retornar da morte no dia do Juízo final. Tem algum juízo essa comparação? Se tudo gira em torno do lucro, por que certas instituições sobrevivem ao fim da era medieval? Por que certas profissões existem(padre, militar, médico e professor) , e por que certas pessoas aceitam condições de trabalho muito arriscadas ou uma baixíssima remuneração?

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“Estou farto do lirismo comedido”

22/12/2009

Senhoras e senhores,

Gostaria de apresentar-lhes o meu mais recente blog. A idéia primeiramente surgiu da vontade de publicar e expandir certas twitadas . Trata-se de um espaço para discutir o indiscutível.  Com exceção de futebol,  já que torço somente em ano de copa, prometo-lhes bastante política, religião, e mais:  gestão de empresas, pedagogia, nanotecnologia,  ficção científica, música, enfim, todos os assuntos pelos quais me interesso ou tenho ocasionalmente contato que provoque uma reflexão que valha a pena publicar.

Sim, esta é uma revista de assuntos variados.

Este é um lugar para darmos bedelho, palpite e “inventarmos moda”. Porque esta história de que precisamos de alguém para formar nossa opinião precisa acabar. Sejamos nossos próprios colunistas, ideólogos e opositores. Pois a liberdade de verdade é fazer seu próprio caminho: olhar as escolas antigas com respeito, mas sempre com espírito crítico.

Como diria Manuel  Bandeira “estou farto do lirismo comedido” nos blogs.  Façamos o novo!